| Palavra do Presidente |
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O setor varejista brasileiro representa cerca de 10% do PIB, segundo último levantamento do IBGE. Dado de extrema relevância, sobretudo levando-se em conta que o varejo, ao longo dos últimos anos, se consolidou como expressivo segmento da economia nacional, tornando-se dinâmico, diversificado e competitivo, além de modelo para muitos países.
Toda essa evolução está invariavelmente ligada a uma importante cadeia de nossa economia, composta por empresas parceiras de lojas e supermercados, que fornecem seus produtos, serviços e equipamentos. Nas décadas recentes, pudemos constatar a organização desses setores, através de entidades de classe quase sempre atreladas aos fabricantes de produtos para consumo, seja na área têxtil, alimentícia ou de calçados. Curiosamente, porém, a área de serviços e equipamentos, ou seja, o segmento que atua nos bastidores do varejo, não acompanhou a tendência de mobilização de classe verificada entre os fornecedores de bens de consumo. O que, diga-se de passagem, não afetou o desenvolvimento dessas empresas, seja do ponto de vista da qualidade ou da tecnologia. Hoje, os fornecedores de equipamentos mais representativos no mercado já exportam seus principais produtos. É o caso das indústrias de manequins, mobiliários, gondôlas e softwares de automação. Todo esse esforço, ao longo de muitos anos, se caracterizou pela individualidade. Enquanto em países como os EUA as associações de fornecedores de equipamentos e serviços existem há cerca de meio século, no Brasil essa mobilização só se concretizou no final de 2003, com a iniciativa de um grupo de 30 empresas representativas em seus setores que atendem a ícones do varejo brasileiro, incluindo redes como Grupo Pão de Açúcar, C&A, Lojas Americanas, Renner e Mc Donnald’s, além de milhares de varejistas independentes.
Até então, havia, como ainda há, duas grandes carências nessa área: a existência de um ponto focal de referência em qualidade para o varejo e de um indicativo econômico confiável do setor. Se existem hoje subsídios suficientes para se mensurar tendências do ponto de vista do consumidor, o mesmo não pode se dizer em relação aos investimentos programados e feitos pelos varejistas.
Um dos termômetros mais confiáveis da atividade do varejo, seja no incremento dos negócios ou na abertura de novas lojas, são justamente as solicitações feitas junto aos fornecedores de equipamentos e serviços. A premissa é simples: se uma rede de lojas pretende expandir seus negócios no próximo trimestre, neste momento ela já está encomendando móveis, contratando escritórios de arquitetura e adquirindo maquinário. Nesse sentido, 2004 promete mudanças, com a introdução de sondagens mensais entre as empresas de equipamentos e serviços para o varejo. Em um segundo momento, será necessária a segmentação desses indicadores, para se detalhar o desempenho e a perspectiva de cada setor. Uma contribuição sem precedentes para a economia nacional.
Não menos importante é a atuação junto às esferas governamentais para a redução de tributos como o IPI, que acabam onerando demais o setor varejista, sobretudo as pequenas e médias empresas. Não faz sentido, por exemplo, pagar-se uma média de 10% de impostos na compra de equipamentos, que são ativos fixos, quando se poderia investir na ampliação de uma loja ou no incremento do mix de produtos, gerando empregos nas duas pontas.
Além disso, vamos debater, junto às entidades responsáveis, a normalização de alguns equipamentos fornecidos ao varejo, visando o conforto, a segurança do consumidor final e a qualificação da indústria para o mercado exportador. Queremos ampliar o diálogo, otimizar recursos, fortalecer relações, firmar parcerias e fornecer elementos concretos para o desenvolvimento sustentável da atividade varejista no Brasil, gerando empregos, produção, divisas e riqueza para o país.
Marcos Andrade é empresário e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv).
Diário do Comércio - [29/12/2003 - 10h02m]
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